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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ahmad Shamlú

O horizonte claro



Um dia reencontraremos as nossas pombas
e o amor e a beleza serão colhidos à mão.

O dia
em que o mínimo canto será um beijo
e cada pessoa um irmão para a outra.

O dia em que ninguém feche a sua porta,
o cadeado se converta em relíquia
e o coração seja suficiente para viver.

O dia em que o sentido de cada palavra seja desejar,
para que não procures a última palavra.

O dia em que a melodia de cada letra seja vida
para que eu não persiga a rima do meu último poema.

O dia em que cada lábio seja canção
para que o mínimo canto seja um beijo.

O dia em que chegues e fiques para sempre
e o amor se identifique com a beleza.

O dia em que voltaremos a atirar miolo de pão às nossas pombas.

Espero esse dia,
mesmo que cá não esteja.



(Versão minha a partir da tradução de Nazanín Amirián e de Ferran Fernández reproduzida em El viento nos llevará. Poesía persa contemporánea, Los libros de la frontera, Barcelona, 2ª edição corrigida, 2006, pp. 77-78).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ahmad Shamlú

Da morte


Nunca tive medo da morte.
As suas mãos são mais frágeis do que a vulgaridade.
De todos os modos o meu temor
é morrer numa terra
onde o salário de um coveiro
é mais elevado do que a liberdade de um homem.

Procurar,
encontrar
e de imediato
escolher livremente
e construir uma torre
da natureza de si mesmo.

Se a morte tivesse mais valor do que tudo isto
juro que jamais fugiria dela.



(Versão minha a partir da tradução castelhana de Nazanín Amirián, adaptada por Ferran Fernández e incluída em El viento nos llevará. Poesía persa contemporánea, Los Libros de la Frontera, 2ª edição, corrigida, Barcelona, 2006, p. 90).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ahmad Shamlú

Amor



O amor cria amor
o amor cria vida
a vida cria sofrimentos
os sofrimentos criam inquietações
as inquietações criam coragem
a coragem cria confiança
a confiança cria esperança
a esperança cria vida
a vida cria amor
o amor cria amor.



(Versão minha a partir da tradução castelhana de Nazanín Amirián, adaptada por Ferran Fernández e incluída em El viento nos llevará. Poesía persa contemporánea, Los Libros de la Frontera, 2ª edição, corrigida, Barcelona, 2006, p. 88).