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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Raymond Carver

O privilégio



Ou isto ou ir caçar linces
com o meu amigo Morris.
Tentar escrever um poema às seis
da manhã ou correr
atrás dos cães de caça com
uma espingarda nas mãos.
O coração dando saltos na sua jaula.
Tenho 45 anos. Não tenho ocupação.
Imagina o luxo desta vida.
Tenta imaginá-lo.
Pode ser que lhe faça companhia se for
amanhã. Mas pode ser que não.



(Versão minha a partir do original e da tradução para espanhol de Jaime Priede, reproduzidos em Todos nosotros, Bartleby Editores, Madrid, 4ª edição, 2007, pp. 102).

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Raymond Carver

O poema que não escrevi



Aqui está o poema que ia escrever
antes, mas não escrevi
porque te ouvi a despertar.
Estava a pensar outra vez
naquela primeira manhã em Zurique.
Como acordámos antes do amanhecer.
Desorientados por um instante. Mas indo
até à varanda que dava
para o rio e para a parte velha da cidade.
E ali estávamos simplesmente, em silêncio.
Nus. Vendo como o céu clareava.
Tão comovidos e felizes. Como se
nos tivessem colocado ali
naquele preciso momento.



(versão minha a partir do original e da tradução para espanhol de Jaime Priede, reproduzidos em Todos Nosotros, Bartleby Editores, Madrid, 4ª edição, 2007, p.106).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Raymond Carver

Último fragmento



E apesar de tudo conseguiste
o que querias desta vida?
Sim.
E o que querias?
Considerar-me amado, sentir-me
amado sobre a terra.



(versão minha a partir do original e da tradução para espanhol de Jaime Priede, reproduzidos em Todos nosostros, Bartleby Editores, selecção, tradução e prólogo de Jaime Priede, 4ª edição, Madrid, 2007, p. 251).