Mostrar mensagens com a etiqueta Leona Gom. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Leona Gom. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de março de 2009

Leona Gom

Estes poemas



Estes poemas têm saudades da sua terra.
Continuam a emergir
da minha caneta
e a fugir
para norte.
Nunca serão domesticados.
Nunca terão bom aspecto.
Deixam a página numa confusão
com as suas imagens persistentes
de uma quinta,
ruminam entre as suas cordas
de metáforas urbanas
e esgueiram-se logo que podem.
E quando não têm saída
enroscam-se rancorosamente
debaixo dos seus títulos
e deixam-se morrer à fome.



(versão minha; original reproduzido em In the clear - a contemporary canadian poetry anthology, selecção e organização de Allan Forrie, Patrick O'Rourke, Glen Sorestad, Thistledown Press Ltd, 2ª impressão, Saskatoon, 2006, p. 76).

domingo, 21 de dezembro de 2008

Leona Gom

O modo como ele o disse



Tanto frio,
os cavalos embranquecidos por ele,
e a minha mulher, a morrer,
no trenó,
a quarenta milhas do hospital,
depois chegámos lá,
e eles não queriam tomar conta dela.
Não tem dinheiro, não há médico,
disseram eles.
E Rosenbloom, que estava lá,
tomem conta desta mulher, gritou ele,
eu dou-vos o raio do dinheiro!
Então ficou tudo bem,
eles tomaram conta dela.
Ele era judeu, Rosenbloom, disseram eles,
mas isto é o que eu recordo dele.




(versão minha; original reproduzido em In the clear - a contemporary canadian poetry anthology, selecção e organização de Allan Forrie, Patrick O'Rourke e Glen Sorestad, Thistledown Press Ltd., Saskatoon, 2ª impressão, 2006, p. 75).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Leona Gom

Sobrevivência



Nunca houve qualquer espécie de delicadeza.
Nada dessas tretas românticas
sobre crescermos numa quinta.
Tudo o que recordo
resume-se a dor e morte.
Quando os porcos eram castrados,
os seus guinchos toda a tarde
e o meu pai a entrar
ensopado pelo sangue da culpa.
Quando serravam os cornos dos bezerros,
os seus berros desesperados
e a minha mãe só dizia,
"isto não lhes dói nada".
Quando vi os gatos recém-nascidos esmagados
contra as paredes do celeiro,
e os cães mortos a tiro
por serem demasiado velhos
para guardarem o gado,
e as galinhas
com as cabeças cortadas
a sacudirem-se no solo ensanguentado,
e os cavalos vendidos
quando o meu pai comprou um tractor,
e eu pude ir de autocarro para a escola.
Aprendi muito sobre a necessidade,
- ou são funcionais, as coisas, ou morrem;
e não fiquei assim tão mal preparada
como cheguei a pensar no início
para viver nas cidades.




(versão minha; original reproduzido em In the clear - a contemporary canadian poetry anthology, organização e introdução de Allan Forrie, Patrick O'Rourke e Glen Sorestad, Thistledown Press ltd., 2006, 2ª impressão, Saskatoon, pp. 72-73).