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sábado, 16 de julho de 2011

Roger McGough

Cinco truques para te ajudar a atravessar uma floresta negra em segurança noite dentro



1. Assobia uma melodia que o teu pai tenha assobiado quando eras criança

2. Cruza os dois primeiros dedos da tua mão esquerda

3. Se perderes de vista a lua guarda-a na retina da tua mente

4. Imagina as cores que te cercam quando esperas o primeiro beijo da manhã

5. Traz uma Kalashnikov no porta-luvas.




(Versão minha; poema incluído em The state of poetry, Londres, Peguin, 2005, p. 11).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Roger McGough

Um poema sério



Este é um poema sério
Com uma aparência séria
Não desperdiça uma só palavra
Conhece bem o seu lugar.

Perfeitamente equilibrado
Nem longo nem curto
Olha solenemente os céus
Como um verdadeiro poema deve fazer.
`
Conhecedor dos clássicos
Dispõe nomes à vontade.
Aqui vem Platão com Lycidas
E, reparem, eis Demóstenes!

Um poema sério há-de findar muitas vezes
Com dois versos que rimam.
Mas nem sempre.



(versão minha; original reproduzido em Collected poems, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 2004, p. 297).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Roger McGough

O Livro da Poesia Inglesa do Século Vinte da Oxford
(Recenseado por Georges Perec)



St psado volum rvla-s incontornávl para as pssoas qu gostam d posia.
Poma após poma, num glorioso fstim d posia.
Mmorávis comparaçõs, mtáforas, stão por toda a part
nquanto blas rimas, tanto como imagns, atravssam cada página.

Grands pomas de noms como Louis MacNic,
John Btjman, Hilair Blloc, T.S. Liot ou Td Hughs,
já para não falar do pota favorito de Larkin, Hardy, qu surg
com vint st pomas ao lado de apnas nov de W.B. Yats.

Sta antologia, apsar d duramnt criticada plos potas
nla não incluídos, acabará por afirmar-s como uma obra fundamntal
por muitos anos. A minha única qustão respita aos potas
d língua francsa qu foram xcluídos por razõs só conhcidas plo ditor.




Romancista francês, na fase da sua obra, Georges Perec publicou um romance com 50000 palavras, La Disparition, eliminando sistematicamente a letra "e".



(versão minha; original reproduzido em Collected poems, Peguin, 2ª edição, Londres, 2004, p. 303).

sexta-feira, 27 de março de 2009

Roger McGough

Seja este outro poema



Eles não te fodem a vida, a mamã e o papá
(Apesar do que Larkin diz)
Isso é com outros, adultos ou rapazes
Que, cada um à sua maneira,

Morrem. E a sua morte espalha uma sombra
Que marca todos os nossos dias,
E nós tentamos escapar à loucura
De múltiplas maneiras.

E, graças a Deus, a maior parte de nós consegue,
Por isso se para cunhar uma expressão
Te sentes fodido não culpes a mamã e o papá
(Apesar do que Larkin diz).



(versão minha; original reproduzido em Collected poems, Peguin, Londres, 2004, 2ª ed. (?), p. 291).

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Roger McGough

Fama



O melhor
de ser famoso

é quando desces
a rua

e as pessoas se viram
para te olhar

e vão contra as coisas.



****



Blues em tempo de guerra



O sexo é racionado
e o cão roeu
todos os cupões.



****



Sobrevivente



Todos os dias
penso na morte.
Na doença, na fome,
violência, terrorismo, guerra,
no fim do mundo.

Isto ajuda-me a manter a cabeça fria.



(versões minhas; poemas incluídos em The State of Poetry, Peguin, London, 2005).