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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jorge Luis Borges

(Acerca da tradução: fotografia de José Manuel Teixeira da Silva)


Xadrez (II)



O rei subtil, o bispo oblíquo, a feroz
rainha, torre frontal, peão ladino
sobre o preto e branco deste caminho
tomam e deixam armas da batalha.

Não conhecem a mão predestinada
do jogador governando o destino,
não conhecem o imenso rigor
que sujeita liberdade e viagem.

Também o jogador é prisioneiro
(disse-o Omar) de outro tabuleiro
pleno de noites negras, dias claros.

Deus move o jogador e este a peça.
Que deus atrás de Deus começa a trama
feita de pó e tempo e sonho e mortes?



(Versão de José Manuel Teixeira da Silva, a partir do original em castelhano incluído em Nueva Antología Personal, 2ª ed., Bruguera, Barcelo, 1983, p. 17. Com esta tradução e com a fotografia que, segundo nota do autor, "poderia chamar-se (parece-me) "acerca da tradução"", José Manuel Teixeira da Silva associa-se à comemoração dos quatro anos deste blogue, o que registo com grande satisfação e gratidão).

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Marlene Dumas

Contra o muro



O primeiro gesto é o pior.
Desenhar uma linha divide o papel em dois.
Desenhar mapas e fronteiras faz dos vizinhos estrangeiros.
Nas culturas bélicas todas as gerações de crianças foram educadas
a pensar exclusivamente em imagens-inimigo.

A arte é uma forma de dormir com o inimigo.

Tenho imenso respeito pelos jornalistas que arriscam
as suas vidas para nos mostrarem aquilo que está a acontecer aqui e agora. Não estou a [tentar
melhorar o seu trabalho. Não sou uma repórter local. Sou uma artista de estúdio.
Viajo através da minha imaginação, ou assim deveria fazer - vivo na minha imaginação.

Não quero que destruam Israel.
Quero que se acabe com a ocupação da Palestina.
Quero que acabemos a Segunda Guerra Mundial,
Para que possamos acabar a Terceira Guerra Mundial.
Mas isso não pode ser pintado. Só os muros podem ser pintados.

Nunca encarei a pintura como uma janela ou como um espelho do mundo.
Talvez a veja mais como uma porta com o aviso Não Entrar
ou uma carta com a informação "Devolver ao remetente - Desconhecido neste paradeiro".
Ou uma fronteira.



(Versão de Ricardo Castro Ferreira. Com esta colaboração do Ricardo - um retorno aos textos-poemas de Marlene Dumas - fica concluída a série dedicada aos quatro anos deste blogue. Agora é seguir em frente. Muito obrigado a todos).

sábado, 4 de fevereiro de 2012

4 anos a tombar do trapézio (4)

E mais uma mensagem de uma leitora (muito obrigado):

{anita}:
"Muitos parabéns! O Trapézio é um dos meus blogues favoritos, uma dádiva para quem gosta de ler boa poesia. Continuação de bom trabalho:)"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

4 anos a tombar do trapézio (3)

Mensagens, comentários & um desafio de leitores (muito, muito obrigado):


Vasco Barbedo Nabais:
"Olá e parabéns pelos 4 anos.
Cada vez gosto mais de poesia à medida que vou lendo o seu blog (diariamente). É o único blog que conheço deste género, que tem um programa e que se comprometeu até ao fim (4 anos é muito). Vou descobrindo novos nomes e fico surpreendido: há tanta gente, de tantos países, que vive a poesia e o mundo, e eu nem sabia. Um dos poemas mais bonitos que conheço li-o aqui, de Jerzy Ficowski, que acaba lindamente: "mesmo que eu chegue atrasado / eu quero chegar a tempo." Só podia assim ser pela tradução que é. Parabéns!"

josé luís:
"parabéns!
leio sempre - e aqui descobri muitas palavras outras.
obrigado.

este é para si:
(e um desafio em tradução)


1(a

le
af
fa
ll

s)
one
l

iness


{e.e. cummings}"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

4 anos a tombar do trapézio (2)

Parte de uma mensagem e uma tradução de José Carlos Barros:

"(...)
Sou amigo de um poeta cubano (Edel Morales) cuja poesia muito particularmente admiro. O Edel, já há uns tempos, pediu-me que lhe traduzisse um poema. É o que te envio em resposta ao teu desafio: o original e a tradução de "Viendo los autos pasar hacia occidente".
(...)"



Vendo os automóveis a passar em direcção do Ocidente



As ruas das pequenas cidades do centro de Cuba,
habitualmente buliçosas e doces,
ficam vazias nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Os estudantes tinham partido à descoberta do mundo
e uma paz, uma estranha e larga ausência,
atravessa as paredes e entra nos edifícios.
Os clubes, as casas de cultura, os campos desportivos
assemelham-se a uma cena, cuidadosamente preparada,
que espera o regresso dos actores para a continuação das filmagens.
Nas pequenas cidades do centro de Cuba
tudo é espera e ausência nos meses de inverno.
Eu vivi essa pesada quietude.
Noites de fevereiro na esquina deserta de Libertad e Paseo
vendo os automóveis a passar na direcção do Ocidente.
Como quem vê uma rapariga de pele muito limpa e cabelos negros
passar, abrindo o desejo, na direcção de outro homem.



*****


Viendo los autos pasar hacia occidente



En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
las calles, habitualmente bulliciosas y dulces,
se quedan vacías en los meses de invierno.
Yo he vivdo esa pesada quietud.
Los esudiantes se han marchado a descubrir el mundo
y una paz, una extraña y larga ausencia,
llega hasta las paredes y penetra al interior de los edificios.
Los clubes, las casas de cultura, los campos deportivos,
semejan un set, cuidadosamente preparado,
que espera el regreso de los actores para continuar la filmación.
En las pequeñas ciudades del centro de Cuba
todo es ausencia y espera en los meses de invierno.
Yo he vivido esa pesada quietud.
Noches de febrero en la esquina vacía de Libertad y Paseo,
viendo los autor pasar hacia Occidente.
Como quien ve a una muchacha de piel muy limpia y cabellos negros
pasar gustosa hacia otro hombre.



Poema de Edel Morales; tradução de José Carlos Barros.


(Muito obrigado).

4 anos a tombar do trapézio (1)

Comentários e mensagens de leitores (muito obrigado a todos):

Amélia:
"Bastará dizer-lhe que o seu blogue é um dos meus preferidos que leio diariamente? Gosto das suas traduções, ainda que tantas vezes não possa confrontá-las com os originais. E gosto de tantos poetas que desconhecia e me tem dado a conhecer. Obrigada."

Neusa:
"Tantos poemas que li, imagens que vi, revelações, com os quais me identifiquei. Obrigada."

Carla Diacov:
"Parabéns e muitos posts de vida!!!"

Daniel Ferreira:
"Parabéns pelos quatro anos de vida e pela lufada de ar fresco que, no que toca à tradução, trouxeste à poesia portuguesa na internet. Muito pessoalmente e para não fechar a questão ao universo virtual, pela machadada no classicismo e na seriedade sisuda divulgada pelo universo literário português até então. Ou seja, obrigado por acabares com o autismo e pela variedade enquanto causa da consequente qualidade, pela possibilidade de poder conhecer outros autores e outro tipo de registos, abriste sem dúvida novos horizontes. Por tudo isso, muito mais e por o que está para vir: continuação e bons tombos. ;)
O mais sincero dos abraços."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Esclarecimento & agradecimento aos leitores que escrevem comentários neste blogue

Caríssimos leitores,

Por motivos alheios à minha vontade, não tenho conseguido responder, nos últimos tempos, aos diversos comentários que têm deixado na caixa de comentários. Não sei porquê, mas o blogger não mo tem permitido. Espero que o problema se resolva em breve, desejando, também, que possam continuar a ler e a comentar os poemas que aqui vão sendo passados para português. Agradeço - a todos - as palavras de simpatia e incentivo que me têm dirigido.