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domingo, 9 de outubro de 2011

Dan Pagis

A história



Uma vez li uma história
sobre um gafanhoto com um dia de vida,
um aventureiro verde que foi engolido
no escuro por um morcego.

Logo a seguir a isto o velho e sábio mocho
apresentou um breve discurso de consolação:
também os morcegos têm direito à vida,
e continuam a andar por aí muitos gafanhotos.

Logo a seguir a isto veio
o fim: uma página em branco.

Passaram entretanto quarenta anos.
Debruçado ainda sobre essa página em branco
não me sinto com forças
para fechar o livro.



(Versão minha a partir da tradução inglesa de Stephen Mitchell reproduzida em The poetry of survival - Post-war poets of central and eastern europe, organização de Daniel Weissbort, Peguin Books, 2ª edição, Londres, 1993, p. 224).

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dan Pagis

Escrito a lápis num vagão selado



Aqui neste vagão apinhado
eu Eva
e o meu filho Abel
se virem o meu filho mais velho
Caim filho de Adão
digam-lhe que eu



(Versão minha, a partir desta tradução de A. Z. Foreman e da tradução de Robert Friend reproduzida em The poetry of survival, organização, prefácio e introdução de Daniel Weissbort, Peguin, 2ª ed. (?), Londres, 1991, p. 221).