quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ana Blandiana

Humildade



Nada posso fazer para que o dia
não tenha vinte e quatro horas.
Apenas posso dizer:
perdoa-me pela duração do dia.
Também não posso impedir
o voo das borboletas a partir das larvas.
Apenas posso implorar o teu perdão,
pelo voo das borboletas, pelas larvas,
perdoa-me pelas flores que se transformam em frutos
e os frutos em sementes e as sementes em árvores.
Perdoa-me pelos mananciais
que se convertem em rios e os rios
em mares e os mares em oceanos.
Perdoa-me pelos amores
que se transformam em recém-nascidos
e os recém-nascidos em solidões
e as solidões em amores...
Nada posso impedir.
Tudo segue o seu destino e nunca me pergunta nada.
Nem o último grão de areia, nem sequer o meu sangue.
Apenas posso dizer: perdoa-me.



(Versão minha a partir da tradução castelhana de Darie Novaceanu reproduzida em Antología de la poesía rumana contenporánea, Editorial Verbum, Madrid, 2004, p. 166).

2 comentários:

Rute Oliveira disse...

Olá olá LP : )

Conheci-a no Encontro Internacional de Poetas, em Coimbra, e foi agradável ouvi-la recitar os poemas na sua própria língua.

Gostei, mais uma vez, do teu trabalho,

( )

Lp disse...

Que sorte! (e obrigado)